Este ano a Intelligenzia completa cinco anos – comecei em 2012 de dentro de casa e hoje somos em 15 pessoas. Mas, esse texto não é sobre minhas pretensas glórias e conquistas. É sobre como é possível, desde que você tenha paciência, aceite a sua responsabilidade no processo e tenha, sobretudo, resiliência.

Ser empreendedor no Brasil não é fácil – esta história todo mundo também já sabe. São os impostos, é a política, é a falta de incentivo por parte do governo (que não faz nem nunca fez qualquer esforço para apoiar o pequeno empreendedor, curiosamente o maior empregador), enfim, podemos passar horas dando milhões de motivos, razões, nomeando políticos corruptos, discutindo as oscilações do dólar, mas nada vai mudar o fato de que a responsabilidade pelo seu sucesso ou fracasso será sua. Não do governo, não da política, não da economia.

Você terá que lidar com o fato de que nenhum de nós teve uma educação voltada para o empreendedorismo. Sim, nenhum de nós. Nem os mais ricos. Isso começa a despontar nas escolas –ainda que de maneira tímida– agora. Se você for mulher, especialmente até as da minha geração, também terá que conviver com o fato de que você, definitivamente, não foi criada para isso.

Mas mesmo assim, contra tudo e todos, o brasileiro empreende mais. Dados do Sebrae divulgados no último ano revelaram que a taxa de empreendedorismo no país foi de 39,3% em 2015 – maior índice dos últimos 14 anos e quase o dobro do registrado em 2002, de 20,9%. Porém, diante do primeiro fracasso, muitos desses negócios perdem força e, logo, acabam.

De acordo com a última pesquisa Demografia das Empresas, divulgada pelo IBGE em 2016, de cada dez empresas, seis não sobrevivem após cinco anos de atividade e, após o primeiro ano de funcionamento, mais de 157 mil (22,7%) fecharam. Das 694,5 mil empresas abertas em 2009, apenas 275 mil (39,6%) ainda estavam em funcionamento em 2014.

Temos pouca instrução técnica para empreender, mas sonhamos com as histórias de bilhões de startups que deram certo. Embora a educação e os recursos técnicos e financeiros possam variar (e certamente influem no processo) os empreendedores de sucesso têm certamente duas características em comum: aceitam sua responsabilidade e aprendem com seus erros, e são resilientes.

O poder do julgamento

Empreender significa tomar uma série de decisões arriscadas ao longo do caminho, que muitas vezes envolvem seu patrimônio próprio, casamento, filhos etc, e podem determinar radicalmente o destino do seu negócio. O problema não é você tomar a decisão errada, o problema é você não aprender absolutamente nada com o seu erro, e continuar culpando o mercado, o governo, os políticos, as estrelas. Independente de qual seja a adversidade, você precisa ter em mente que as suas decisões fizeram com que chegasse até esse ponto. Olhar pra trás, entender esse percurso, assumir o seu erro para corrigir o futuro são passos fundamentais.

Nesta minha prática de cinco anos, já atendemos diversas empresas que muitas vezes buscam pelo marketing como salvo-conduto para uma situação cuja solução envolve o empreendedor tomar para si a responsabilidade dos seus erros e acertos e transformar o rumo do seu negócio. Infelizmente, na maioria das vezes, (e não é só coincidência!) eles não querem ouvir o que há de errado. Eles querem uma solução mágica para ontem.

O segundo ponto é a tal da resiliência. Palavrinha esquisita, que fica perdida entre sentidos estranhos que eu ouço às vezes. Resiliência, dizem, é curvar sem quebrar. É aguentar o tranco sem desistir, é respirar fundo e saber que há uma saída, mesmo que tudo, neste momento, pareça impossível. É sobretudo admitir o erro, corrigi-lo e seguir em frente. A falta de resiliência ataca mais os iniciantes, que querem ver resultados em meses.

Infelizmente não quero decepcionar ninguém, mas resultados levam anos. Não existe atalho. Só existe trabalho duro. Só existe você, provando o tempo que você pode, que é possível, mesmo que lhe digam exatamente o contrário, que o seu trabalho é ruim, que assim você não vai longe, que assim você não consegue.

Só há um caminho, e é em frente. Boa sorte.

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